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Timothy Ray Brown, primeiro homem curado do HIV morreu nos EUA vítima de leucemia

Seu companheiro havia anunciado na semana passada que Timothy estava em fase terminal.

Agência Aids
30/09/2020

O americano Timothy Ray Brown, conhecido como o “paciente de Berlim”, que em 2008 se tornou a primeira pessoa a ser curada do HIV, faleceu aos 54 anos, vítima de câncer, anunciou nesta quarta-feira a Sociedade Internacional de Aids (IAS).

“Nos últimos seis meses, Timothy viveu uma recaída da leucemia, que afetou sobretudo o cérebro, mas permaneceu protegido do vírus HIV”, destacou a IAS em um comunicado.

Seu companheiro havia anunciado na semana passada que Timothy estava em fase terminal.

“Timothy não está morrendo de HIV, só para ficar claro”, disse Tim Hoeffgen ao blog do escritor e ativista Mark King.

Ray Brown escreveu uma página da história médica da aids. Em 1995, quando morava em Berlim, ele soube que havia sido contaminado com o vírus HIV. Em 2006 foi diagnosticado com leucemia.

Para tratar a leucemia, seu médico da Universidade Livre de Berlim usou um transplante de células-tronco de um doador que tinha uma mutação genética rara que lhe deu uma resistência natural ao HIV, na esperança de curar as duas doenças.

Foram necessários dois procedimentos dolorosos e de alto risco, mas o resultado foi um sucesso: em 2008, Brown foi declarado livre da aids e do câncer.

Quando o marco médico foi anunciado, ele foi apresentado como o “paciente de Berlim” em uma conferência médica para preservar seu anonimato. Dois anos mais tarde, Timothy decidiu quebrar o silêncio e se tornar uma figura pública, concedendo entrevistas e participando em conferências.

“Sou a prova viva de que pode haver cura para a aids”, disse à AFP em 2012.

Desde então, apenas outra cura, em março de 2019, foi anunciada graças ao mesmo método: o “paciente de Londres”, que também acabou revelando sua identidade, Adam Castillejo.

A complexidade e os riscos associados ao tratamento com o transplante de células-tronco impedem a generalização, sobretudo porque os antirretrovirais permitem em geral que o paciente tenha uma vida normal com o HIV.