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Ativistas esperam que em breve todas as pessoas com HIV tenham acesso a vacina contra COVID-19

Pessoas vivendo com HIV/aids e que apresentaram um CD4 menor que 350 no último exame, independentemente de quando foi realizado, estão inclusas no grupo prioritário para a vacinação contra covid-19

Agência Aids
01/02/2021

Na semana passada, o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde, publicou uma nota informativa com orientações sobre a vacinação de covid-19 em pessoas vivendo com HIV (leia). Segundo o documento, apenas pacientes com CD4 menor que 350 fazem parte do grupo prioritário para vacinação.

Segundo o Departamento será considerado para inclusão neste grupo o último exame realizado do indivíduo, independentemente de quando foi realizado, sem necessidade de novo exame, dada a necessidade de facilitar acesso ao imunizante e da diminuição da realização de exames de LT-CD4 durante a pandemia.

Ativistas receberam a notícia com satisfação e esperam que em breve todas as pessoas vivendo com HIV/aids possam ser vacinadas. Confira:

Sidney Parreiras Oliveira – representante estadual da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+) no Espírito Santo
“Sou a favor da vacinação para quem tem CD4 abaixo de 350. Acredito que todos deveriam vacinar, mas como ainda existe essa dificuldade de acesso à vacina, vacinar as pessoas mais vulneráveis ajudaria muito, mas devemos continuar a luta para todos.”


Sueli Maria do Nascimento – integrante do colegiado que coordena o Fórum Minas de ONG/aids e do Grupo Solidariedade;
“Aqui na entidade recebemos com alegria essa possibilidade, já que as pessoas com HIV/aids com CD4 baixo podem ter o risco aumentado. No entanto, nossa preocupação é com a oferta real das vacinas e o acesso desses pacientes, considerando-se que muitos ainda não estão convencidos da importância da tomada de serem vacinados. Alguns não têm contato com seu médico desde o ano passado e acreditamos que necessitarão de uma boa conversa quanto à questão da vacinação”.


Márcia Leão – Coordenadora Executiva do Fórum de ONG/aids do RS
“Parabenizo o DCCI por ter conseguido incluir as pessoas vivendo com HIV/aids, com CD4 abaixo de 350 no grupo prioritário para vacinação contra covid e o fato de ter sido adotado como critério o último exame realizado, independente da data. No entanto entendo que as demais PVHA também devam ter seu acesso à vacina garantido. Assim, o DCCI deve envidar esforços para garantir esse acesso.”


Veriano Terto – vice presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA)
“É muito bem-vinda a inclusão das pessoas vivendo com HIV/aids entre as populações prioritárias e que devem receber a vacina. É uma decisão que segue estudos internacionais científicos bastante sérios e que fazem essa recomendação. É claro que esperamos que dentro do próprio universo de pessoas soropositivas sejam priorizadas ainda mais as pessoas com imunidade mais comprometida. Mas a ideia de incluir universalmente, ou seja, todos os soropositivos, é muito bem-vinda. Esperamos que isso se torne em breve uma realidade para todas as pessoas vivendo com HIV/aids que precisam tomar a vacina.”


Credileuda Azevedo – Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas
“O critério do último CD4 utilizado para a inclusão das pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA) é algo a se pensar, ou até mesmo questionar, pois temos no PCDT (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêutica) o direito de fazer esse exame uma vez a cada ano e acaba que não vem se cumprindo. Então, tem PVHA que estão há a mais de dois ou três anos sem a realização do CD4, o que pode acabar deixando-as fora do grupo prioritário. Seria bom se todas as PVHA pudessem ter acesso à vacina. Como sabemos que ainda não há vacina para todxs, temos a preocupação, enquanto movimento social, de que pelo menos essas PVHA com CD4 baixo possam ser imunizadas. Vemos também que não houve essa preocupação dos governantes em relação às PVHA. Poderíamos ter entrado no quadro de vacinação, como já entramos em outras doenças, o acesso universalizado para as PVHA.”


Redação Agência de Notícias da Aids