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Congresso de DST e HIV: Especialistas acreditam no uso dos aplicativos e redes sociais na prevenção do HIV entre jovens HSH

A tecnologia aumenta o engajamento e a retenção do público jovem. A maioria deles tem celular, está sempre nas redes sociais e se sente a vontade nelas.

Agência Aids
11/07/2017

A tecnologia aumenta o engajamento e a retenção do público jovem. A maioria deles tem celular, está sempre nas redes sociais e se sente a vontade nelas. Essas informações colaboraram com uma pesquisa de prevenção do HIV em jovens HSH (homens que fazem sexo com homens), realizada nos Estados Unidos. O estudo está sendo conduzido por pesquisadores da Universidade Northwestern em Chicago, Hunter College em Nova York e Emory University, em Atlanta.

“Os homens jovens HSH representam quase 70% dos diagnósticos positivos para o HIV entre todos os jovens dos EUA. Eles estão sozinhos para enfrentar uma taxa crescente de infecções. Além disso, eles são menos propensos a receber educação relevante em saúde sexual em ambientes tradicionais, como escolas e comunidade. A internet é uma importante ferramenta para alcança-los”, contou Brian Mustanski, da Universidade de Northwestern principal investigador da pesquisa, nesta terça-feira (10), no 22º Congresso Mundial de Doenças Sexualmente Transmissíveis e HIV, 11º Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e 7º Congresso Brasileiro de Aids, no Rio de Janeiro.

A versão 1.0 do Keep It Up! (KIU!) incluiu 102 jovens HSH, negativos para o vírus HIV e sexualmente ativos. Eles foram selecionados e recrutados em cinco clínicas LGBT de Chicago.

O KIU! tem formato multimídia e baseia-se na Internet. A proposta é um site interativo com informações em vários formatos, como jogos, animação e vídeos. A intenção é estimular comportamentos sexuais mais seguros e habilidades eficazes de prevenção.

“A ferramenta é totalmente online e a ideia é que os participantes tenham flexibilidade para escolher quando e onde acessar. Nele também tem uma janela chamada Minhas Escolhas. Ela mostra aos usuários onde estão os serviços que oferecem atendimento ao HIV. Isso pode incentivar o planejamento das pessoas para procurarem esses espaços. Tem ainda o Relógio de Risco, onde os usuários calculam as probabilidades de se infectarem de acordo com suas práticas sexuais”, explicou Mustanski.

Durante o estudo, 44% dos participantes de um braço da pesquisa reduziram o número de práticas de sexo anal sem proteção, no período de 12 semanas.

A pesquisa trabalha eixo de informação, motivação e comportamento com coleta de dados sobre as escolhas dos usuários.

Segundo o especialista, todos os participantes, independentemente da versão do programa recebem exames de urina e retais em casa para a clamídia, gonorreia e outras IST (infecções sexualmente transmissíveis). Ao completar o programa, os usuários são contatados mais três vezes ao longo de um ano para sessões de acompanhamento e pesquisas.

A tecnologia como parceira na prevenção e novos estudos

Para o especialista Patrick Sullivan, da Escola de Saúde Pública Rollins de Emory, a tecnologia pode facilitar o recrutamento e o engajamento das pessoas, especialmente dos jovens nas intervenções em saúde.

“A influência das redes sociais é grande. Essas tecnologias oferecem funções-chave que são particularmente relevantes dentro de um contexto de HIV juvenil, incluindo anonimato sócial”, afirmou.

Nos Estados Unidos, um em cada 5 jovens HSH, entre 13 e 24 anos, foram diagnósticos com HIV em 2014. Dados apresentados pelo especialista mostrou que 15% das novas infeções pelo HIV poderiam ser evitadas se as ISTs fossem tratadas. Apenas cerca de 30% dos entrevistados relataram teste de HIV no último ano. 44% dos jovens entre 18 a 24 anos não sabem se estão infectados.

“Como levar os homens a se testarem para ISTs e assim prevenir o HIV? A prevenção das ISTs é a prevenção do HIV. Nos Estados Unidos, não são todas as pessoas que tem plano de saúde. Os HSH quando vão às consultas, na maioria das vezes, não relatam que tem parceiros. E os médicos não pedem exames para IST”, disse o especialista.

Os estudos apresentado por Sullivan compara quatro estratégias pilotos de prevenção. Entre elas, o Keep It Up!. Essas pesquisas trabalham ferramentas móveis projetados para a ampliação do acesso a testagem do HIV e outras ISTs, aceitação da PrEP (profilaxia pré-exposição do HIV), adesão a terapia antirretroviral e autotestes, além de integrar serviços em cuidados médicos.

“Com relação à PrEP, mesmo que haja o risco comportamental, apenas a triagem da profilaxia ajuda a reduzir cerca de 5% a incidência do HIV.” Para o especialista, os destinos das ISTs, HIV e PrEP estão cada vez mais ligados.

Jovens Negros

Entre os aplicativos móveis de prevenção ao HIV, Sullivan mostrou o estudo HealthMlnd, uma estratégia focada na saúde dos jovens negros gays, bissexuais e HSH que permite a solicitação de autoteste e preservativos.

Os participantes da pesquisa foram recrutados pelo Facebook e Grindr. 121 usuários maiores de 18 anos se inscreveram. 72 de Atlanta e 49 de Seattle. O estudo durou quatro meses e 99 deles chegaram ao final.

Resultados preliminares dessa pesquisa mostraram que 78% dos participantes relataram insatisfação com os preservativos atuais. 87% usaram os preservativos que são possíveis pedir no aplicativo e dois terços deles não planejavam se testar em breve. 50% dos usuários diziam não ter horário para os testes e agora fazem. 9% dos participantes eram elegíveis para a PrEP.

"Há lacunas substanciais na triagem de IST entre HSH nos EUA. Os aplicativos móveis podem ser usados ??para fornecer planejamento de triagem, lembretes e distribuição de kits de teste em casa. Os homens estão dispostos a usarem kits de autoteste para HIV e ITS. A ligação ao tratamento é possível”, garantiu o especialista.