
MOPAIDS
25/01/2025
A cidade de São Paulo completa 472 anos marcada por contradições, resistências e reinvenções permanentes. É na complexidade de seu território — atravessado por desigualdades, violências e também por potências coletivas — que se construiu, ao longo de décadas, a resposta paulistana à epidemia de HIV/aids.
Desde os primeiros anos da epidemia, quando o medo, o estigma e a morte se impunham como política, foram as comunidades, os movimentos sociais, as organizações da sociedade civil e os ativistas independentes que ergueram as primeiras redes de cuidado, informação e acolhimento. Antes mesmo de haver políticas estruturadas, já existia luta. Antes de haver programas instituídos, já havia compromisso com a vida.
A história da política de HIV/aids em São Paulo não pode ser contada sem reconhecer o papel fundamental das ONGs, dos coletivos periféricos, dos movimentos LGBTQIA+, do movimento negro, das organizações de mulheres, das redes de redução de danos, das casas de apoio, dos fóruns e articulações comunitárias que tensionaram o poder público, formularam propostas e contribuíram de forma decisiva para que a resposta à epidemia fosse baseada em direitos humanos, ciência e participação social.
O MOPAIDS reconhece e valoriza os avanços construídos pela cidade de São Paulo ao longo dos anos, com políticas públicas consistentes, ampliação do acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento, incorporação de novas tecnologias e fortalecimento de estratégias que colocam o SUS como eixo central da resposta ao HIV/aids. Esses avanços dialogam diretamente com uma tradição paulistana de inovação, compromisso sanitário e reconhecimento da complexidade da epidemia.
Reafirmamos, contudo, que esses resultados positivos só se sustentam quando articulados à participação ativa da sociedade civil. As organizações, movimentos, coletivos e ativistas independentes não são apenas parceiros operacionais, mas sujeitos políticos fundamentais na formulação, no monitoramento e na qualificação das políticas públicas. A resposta ao HIV/aids em São Paulo sempre foi mais potente quando construída de forma compartilhada.
Celebrar os 472 anos de São Paulo é reafirmar que a cidade avança quando reconhece sua memória de luta, valoriza o trabalho comunitário e fortalece a democracia participativa. É defender uma política de HIV/aids construída com as pessoas, respeitando os territórios, as diversidades e as experiências que historicamente sustentam essa resposta.
O MOPAIDS reafirma seu compromisso com uma São Paulo que coloque a vida no centro das decisões, que reconheça o saber comunitário como parte da política pública e que compreenda que a resposta à aids é, indissociavelmente, uma resposta em saúde, em direitos e em cidadania.
Sem participação social, não há política de aids.
Sem memória, não há futuro.
Sem comunidade, não há cuidado.
São Paulo, 472 anos.
Seguimos em luta.
MOPAIDS – Movimento Paulista de Luta contra a Aids